Em meio à pandemia de coronavírus, o Japão promete se afastar de "hanko" Em meio à pandemia de coronavírus, o Japão promete se afastar de "hanko"
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Em meio à pandemia de coronavírus, o Japão promete se afastar de "hanko"

    NHK Senior Economic Commentator /
    NHK World Special Affairs Commentator
    Autoridades do governo japonês e líderes empresariais adotaram uma declaração conjunta, que promete reduzir significativamente a papelada e o uso do "hanko", carimbos tradicionais amplamente reconhecidos como prova de acordo. A medida visa ajudar as pessoas a ficarem em casa, em meio à pandemia de coronavírus.

    Hanko está presente em toda a sociedade japonesa, sendo usado em pelo menos 10.000 trâmites governamentais, como pedidos de emissão de carteira de motorista e declarações fiscais. Seu uso é exigido por lei em alguns desses casos, e mesmo quando não há obrigação legal, a prática é tão arraigada que muitas vezes constitui uma exigência de fato.

    Apesar da ampla implementação de medidas para trabalhar em casa em meio à pandemia de coronavírus, o uso do hanko persiste. Por causa disso, muitas pessoas dizem que ainda precisam ir ao escritório para carimbar os documentos.

    O governo respondeu prometendo prosseguir com as reformas até o final do ano, e as principais empresas também estão dedicando esforços. A gigante de bebidas, Suntory, e a empresa de comércio eletrônico, Mercari, estão entre as companhias que anunciaram estar tomando medidas para reduzir o uso de hanko. Alguns bancos, incluindo Mizuho, estão mudando para contratos de empréstimo on-line que não exigem carimbos.

    Mas os desafios continuam. O uso do hanko está tão enraizado em algumas áreas do país, que muitos governos municipais acreditam erroneamente que se trata de um requisito para alguns tipos de documentos oficiais.

    Por exemplo, os pais que trabalham são obrigados a enviar o chamado "certificado de emprego" para disputar uma vaga em creche para seus filhos. O governo central, e em particular, o Conselho de Reforma Regulatória, foi categórico em dizer que não havia necessidade de usar hanko nesses formulários, chegando a enviar um aviso para lembrar as autoridades locais sobre esse fato em junho. No entanto, muitos governos municipais ainda exigem carimbos da empresa como parte do procedimento.

    A situação mostra que outras formas de verificação, como assinaturas eletrônicas, talvez precisem de aceitação mais ampla para que parte da sociedade japonesa abandone sua dependência em hanko.

    O ministro da Revitalização Econômica, Nishimura Yasutoshi, disse em uma entrevista coletiva, em 26 de julho, que as empresas deveriam estender as medidas de trabalho em casa e escalonar o horário de trabalho para impedir a propagação do vírus. Em meio a um número cada vez maior de infecções, é necessário acelerar a revisão de práticas administrativas, como o uso do hanko, para adaptar os processos de negócios a essas medidas.

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