Em discurso no Parlamento, premiê japonês define políticas prioritárias

O primeiro-ministro do Japão, Kishida Fumio, afirmou que lidar com a queda da taxa de natalidade do país será prioridade máxima para o governo.

O premiê fez o comentário nesta segunda-feira (23), em discurso sobre políticas de seu governo, no primeiro dia de sessão ordinária do Parlamento.

Kishida disse que, no ano passado, estima-se que o total de nascimentos no Japão tenha ficado abaixo de 800 mil. Afirmou que o governo vai tentar implementar medidas sem precedentes para impulsionar o número de nascimentos. Acrescentou que pretende designar passos e buscar recursos estáveis para atingir tal objetivo.

O premiê afirmou que o Japão se encontra em um momento crítico, 77 anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial. Ele disse que o país precisa se livrar de práticas antigas estabelecidas no passado e criar uma sociedade, uma economia e uma ordem internacional que se adequem à nova era.

Kishida também ressaltou a necessidade de impulsionar as capacidades de defesa do Japão. Afirmou que o governo vai assegurar um orçamento de mais de 330 bilhões de dólares para o setor, ao longo de cinco anos. E indicou que cerca de um quarto deste montante será coletado por meio de aumentos de impostos.

O primeiro-ministro também afirmou que o governo vai lidar com o aumento generalizado dos preços e explicou que fará esforços para aumentar salários, inclusive com a tentativa de acelerar uma reforma do mercado de trabalho.

Ao comentar sobre como o Japão vai garantir que tenha fornecimento estável de energia, Kishida disse que o governo vai promover a construção de reatores de próxima geração em usinas nucleares e estender o funcionamento dos já existentes.

Kishida também falou sobre diplomacia e segurança nacional. Disse que o Japão vai trabalhar com outras nações do G7 para lidar com a invasão russa à Ucrânia e outras questões globais, em antecipação à cúpula do grupo em maio, a ser realizada em Hiroshima, no oeste do Japão. Também expressou determinação em tomar medidas para concretizar um mundo livre de armas nucleares.

O premiê também tocou na questão das renúncias de alguns ministros de seu gabinete no ano passado, relacionadas a escândalos políticos e vínculos com o grupo religioso conhecido como Igreja da Unificação. Kishida afirma que lidou com as renúncias de forma séria e disse que irá tentar evitar a reincidência da conduta que levou aos escândalos.