EUA e Reino Unido condenam mudanças feitas pela China em sistema eleitoral de Hong Kong

Os Estados Unidos e o Reino Unido criticaram a China a respeito de uma nova medida que obriga candidatos às eleições de Hong Kong a serem verificados por autoridades de segurança chinesas, com o objetivo de garantir a lealdade dos postulantes em relação a Pequim.

O comitê permanente do Congresso Nacional do Povo da China aprovou na terça-feira emendas à Lei Básica de Hong Kong.

As mudanças exigem que candidatos à eleição para chefe do Executivo e para o Conselho Legislativo de Hong Kong sejam verificados pelo departamento de segurança da polícia chinesa. A polícia, por sua vez, deve reportar os resultados a um comitê com direito a veto, que decidirá se os postulantes poderão ou não concorrer à eleição.

O governo de Hong Kong afirma que vai adiar para dezembro as eleições para o Conselho Legislativo, que estavam inicialmente marcadas para o mês de setembro.

Também afirma que a eleição para o posto de novo chefe do Executivo será realizada em março do ano que vem. Isso significa que ambas eleições devem ocorrer já sob vigência do novo sistema.

Um porta-voz do Departamento de Estado americano descreveu a medida como uma atitude que reduz ainda mais a participação política e a representatividade em Hong Kong.

O chanceler Dominic Raab, do Reino Unido – país que manteve Hong Kong como colônia até 1997 – afirmou que as mudanças feitas pelo lado chinês no sistema eleitoral de Hong Kong são “uma clara violação da Declaração Conjunta” firmada entre o Reino Unido e a China. Também afirmou que a decisão “mina a liberdade do povo de Hong Kong” e descumpre as “obrigações internacionais de Pequim”.