Biden adverte que EUA não vão fornecer armas a Israel se Tel Aviv atacar Rafah

O presidente dos Estados Unidos afirmou que vai interromper os embarques de armas americanas para Israel se as forças israelenses realizarem uma ofensiva terrestre em Rafah, no sul da Faixa de Gaza.

Joe Biden fez a afirmação quarta-feira em entrevista à rede CNN. A advertência do presidente foi feita depois de anúncio do secretário da Defesa, Lloyd Austin, de que Washington já havia interrompido o embarque de bombas diante de preocupações quanto a uma eventual invasão.

É a primeira vez, desde o início do conflito entre Israel e o Hamas, em outubro, que o presidente americano fala publicamente sobre uma interrupção do fornecimento de armas a Israel.

Ao falar em sessão da Comissão de Verbas Discricionárias do Senado, o secretário da Defesa confirmou a decisão na quarta-feira.

Aos legisladores, Austin assegurou que o compromisso dos Estados Unidos com a segurança israelense é inabalável. Mesmo assim, explicou que o governo Biden está “reexaminando” a assistência em relação ao “desenrolar dos acontecimentos” em Gaza. Ele advertiu que Israel não deveria lançar um grande ataque em Rafah “sem levar em conta e proteger os civis que se encontram naquele espaço de combates”.

Austin esclareceu que as autoridades dos Estados Unidos não tomaram uma “decisão final” sobre como proceder com o carregamento.

O porta-voz das Forças de Defesa de Israel, Daniel Hagari, tratou da questão em entrevista coletiva. Destacou que o apoio dos Estados Unidos desde o início do conflito, em outubro, tem sido em uma “escala sem precedentes”. Disse que quaisquer “disputas” são resolvidas “a portas fechadas”.

Negociadores de Israel e do Hamas avaliam as últimas propostas de cessar-fogo. Nenhum progresso foi anunciado.

Os combates em Rafah e arredores vê se intensificando. As forças israelenses assumiram o controle de uma passagem que é essencial para a entrega de ajuda humanitária e a mantiveram fechada.

Militares anunciaram a reabertura de outra passagem, em Kerem Shalom, para possibilitar o ingresso de assistência em Gaza. Contudo, o assessor de imprensa do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Matthew Miller, disse ser inaceitável o nível de assistência humanitária. Segundo informou, o presidente americano teria declarado ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que será preciso haver uma “mudança drástica”.